História e Negritude no FLICA 2011


Joel Rufino dos Santos, Ana Maria Gonçalves e Luislinda Valois
Mediador: Márcio Meirelles
Dia: 14 de outubro de 2011 (sexta-feira)
Horário: 10h

“Negação da negação do homem negro”. Eis a contribuição de Jean-Paul Sartre para o conceito de negritude. Há outras contribuições, como a de Aimé Césaire, que cunhou o termo em 1935 como uma crítica à opressão cultural europeia. Mas voltemos à de Sartre, pois se encaixa à perfeição no atual estágio dos debates.

Brancos, pardos, mongólicos e negros esclarecidos concordam que a quantidade de melanina na pele não faz o homem, não tem a ver com superioridade ou inferioridade. Somente os racistas pensam diferente, ou melhor, não pensam, expõem toda sua ignorância, inclusive antropológica, pois não existe raça humana, existem etnias, a partir de conceitos culturais.


O racista não nega o homem negro. Aponta-lhe o dedo, acusador. Quem nega o homem negro, e há brancos e negros que o fazem, é quem nega a cultura negra, ou melhor, as culturas negras africanas subsaarianas. É quem vê como completa a obra de assimilação à cultura europeia iniciada pelos portugueses no século XV.

Assim, se negritude é, entre outras coisas, a “negação da negação do homem negro”, ela é a afirmação da resistência das culturas negras à assimilação, à aniquilação do negro enquanto ente cultural singular.

Joel Rufino dos Santos e Luislinda Valois passaram a vida a negar a negação do homem negro, a valorizar a cultura de matriz africana, a combater a opressão cultural europeia. Ana Maria Gonçalves escreveu o maior libelo contra essa negação. Então todos eles são contra a assimilação pura e simples? Sim, mas haverá debate, pois a Flica propõe a eles o crivo da História. A partir dela, não seremos todos pardos? Assimilados, portanto?

Fotos: Ângelo Duarte // Divulgação // Acervo Pessoal

Confira a programação completa do FLICA 2011 no site:
http://www.flica2011.com.br/

 

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