Cabaré da Rrrrraça em curta temporada de inverno

O Bando de Teatro Olodum volta em cartaz, no Teatro Vila Velha, nos meses de julho e agosto, com um dos seus maiores sucessos, Cabaré da Rrrrraça.

O espetáculo Cabaré da Rrrrraça. um espetáculo que discute a questão racial com inteligência, humor, musica e dança. Dirigida por Márcio Meirelles, a peça levanta discussões bem humoradas sobre negritude, racismo e a participação do negro no mercado de consumo, por meio de personagens que já caíram no gosto popular, como o “Patrocinado”, a cantora “Flávia Karine” e o “Super Negão”.


Espetáculo contundente

“O Cabaré surgiu em um momento de crise. O elenco estava cansado de ser mal interpretado, de ouvir coisas negativas e, principalmente, com a falta de dinheiro e de apoio. Conversamos muito e então surgiu a vontade de fazer algo diferente do que vínhamos fazendo”, conta Chica Carelli, co-diretora do espetáculo. A mudança se fez necessária e de certa forma radical. Ao invés de colocar no palco o povo pobre e sofrido do Pelourinho ou de outra periferia da cidade, o Bando queria continuar debatendo o racismo, mas por outro viés. “Marcio Meirelles queria falar do negro como consumidor e objeto de consumo através de personagens que mostram o negro que anda arrumado, sai nas capas das revistas, o negro fashion”, explica Chica.

Inspirados pelo surgimento na revista Raça Brasil, a primeira do mercado editorial brasileiro voltado para a população afrodescendente, o Bando criou um divertido, mas contundente espetáculo, que versa sobre os diversos dilemas do negro na atualidade. Desde a estréia, em 1997, a peça continua despertando interesse e discussões por onde é apresentada. Diversas cidades brasileiras, além de Portugal e Angola, já receberam a visita do Cabaré.

Outro destaque do espetáculo são os figurinos especiais usados pelos personagens e músicos em cena. Eles são assinados por um grande time de estilistas baianos.

Bando de Teatro Olodum – História
Há 20 anos, nascia em Salvador uma das mais poderosas propostas de ação afirmativa na área cultural. Um grupo de teatro formado por um elenco exclusivamente negro, encenando espetáculos cujo tema principal seria o negro dentro da sociedade brasileira. A certeza da força daquela escolha e da verdade que levavam para o palco fez com que diretores e atores enfrentassem a resistência de uma sociedade nada aberta para discutir temas como a desigualdade racial, o racismo e as práticas preconceituosas cotidianas camufladas pela suposta ‘democracia racial’. Assim nasceu o Bando de Teatro Olodum, a mais consolidada companhia teatral do atual cenário baiano. Uma das poucas a manter um corpo estável, com elenco, diretores e técnicos e a desenvolver uma linguagem própria e contemporânea, fruto da experiência, do trabalho em grupo e de uma definição clara da função desempenhada pela companhia.

“Não há como desassociar o Bando das preocupações políticas e sociais. E esta é uma aposta que não é fácil”, diz o diretor musical da companhia, Jarbas Bittencourt, responsável pelo desenvolvimento dos atores no canto e no ritmo, fortemente percursivo, mas influenciado por outros gêneros. “A maturidade do elenco torna possível montarmos espetáculos nos quais os atores cantam, dançam e interpretam com qualidade e profissionalismo”, ressalta Jarbas

O Bando já produziu cerca de 20 espetáculos de teatro – além de atuações no cinema e na TV – e ganhou expressão nacional. Vencedor do Prêmio Braskem de melhor espetáculo, Sonho de uma noite de verão (2006) está entre as produções recentes de destaque, assim como o primeiro espetáculo infanto-juvenil do grupo: Áfricas (2007). Merecem menções também Ó paí, ó!, que se tornou filme de longa-metragem e série televisiva, e Cabaré da RRRRRaça (1997) – o maior sucesso do grupo nos palcos.

Serviço
O que: Cabaré da RRRRRaça
Quando: (julho) Dias 22, 23, 24 e 29, 30 e 31 de julho – 20h (sextas, sábados e domingos)
(agosto) 05, 06, 07 e 12, 13 e 14 – 20h
Onde: Sala Principal Teatro Vila Velha – Av. Sete de Setembro, Passeio Público s/n, Centro.
Ingressos: sextas: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,0 (meia)
Sábados e domingos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)

Ficha Técnica:
Elenco: Auristela Sá – Flávia Karine /Amauri Oliveira – Patrcinado Cássia Valle – Marilda Refly / Elane  Nascimento – Dandara / Fábio Santana – Nego Fudido e percussão / Gerimías Mendes – Seu Gereba /  / Jamile Alves – Negaça e percussão / Jorge  Washington – Taíde / Leno  Sacramento – Edmilson/Edileuza / Merry Batista – Dra Janaína / Rejane  Maia – Rosemary / Ridson Reis – Brogojô e percussão / Sérgio  Laurentino – Wensley de Jesus / Telma  Souza – Nega Lua / Valdinéia  Soriano – Jaqueline

Texto: Márcio Meirelles / Bando de Teatro Olodum / Direção: Márcio Meirelles / Co – Direção e Direção de Produção: Chica Carelli / Coreografia: Zebrinha / Direção Musical e gravação de play back: Jarbas Bittencourt / Desenho de som: Maurício Roque / Montagem de som: Equipe técnica do Teatro Vila Velha / Operação de som: Ednaldo Muniz / Gravação do play back: Estúdio do Vila / Iluminação: Rivaldo Rio / Montagem e operação de luz: Equipe técnica do Teatro Vila Velha / Espaço cênico e conceito de figurino: Marcio Meirelles / Produção de Figurino: Valdineia Soriano / Maquiagem e Cabelo: Luiz Santana

Apoiaram com seus figurinos: Iuri Sarmento e Eduardo Rosa: Dandara / Mônica Anjos: Taíde e Rosemary / Elementais: Negaça e Nega Lua / Márcia Ganem: Nega Lua / Luciana Galeão: Jaqueline / Wládia Góes e Flávia Botelho: Flávia Karine / Goya Lopes: Dra Janána / Fagner Bispo: Patrocinado / Néa Santana: Brogojô / Saraí Santos: Nego Fudido e Wensley / Levite Bahia: Edileuza / Vestir Arte: Marilda

Informações à imprensa:
Cinara Pereira – Assessoria de Imprensa Teatro Vila Velha
(71) 3083-4610 comunicacao@teatrovilavelha.com.br
Auristela – Bando de Teatro Olodum
(71) 3083-4620 – 4619/ 99793192 | bando2@gmail.com

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2 Comments

  • Reginaldo Sales Responder

    Nossa!!!! Ainda bem que vcs voltaram. e mereciam o oscar por ser o espetáculo que trata da discriminação de maneira inteligente e humorada. Parabéns, estarei sempre lá.

  • Nilldinha Responder

    Já assisti o espetáculo duas vezes e assistirei a terceira e cada vez, repenso as estruturas em que estamos colocados e como desestruturá-las. Quem não assistiu o espetáculo, assista pois vale muito a pena.
    A inteligência, sagacidade, crítica e a forma com o espetáculo seduz nos faz querer ir além!

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