Educadores Sem Terra se reúnem em Conquista

Vitória da Conquista sediará, nos próximos dias 1, 2 e 3 de Julho, o XVI Encontro Estadual de Educadoras e Educadores do MST-BA, a ser realizado no Centro Municipal de Educação Professor Paulo Freire, o popular CAIC, na Urbis IV. Promovido pelo Setor de Educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o encontro reunirá cerca de 600 professores que atuam em áreas de assentamento e acampamentos nas nove regionais do estado (Sul, Extremo-Sul, Baixo-Sul, Sudoeste, Chapada, Recôncavo, Oeste, Norte e Nordeste) nos níveis básico, fundamental, médio e superior.

Debater os desafios e perspectivas das Escolas do Movimento, refletir sobre o cenário nacional e as políticas públicas de educação no campo, socializar as experiências dos cursos formais do PRONERA, discutir concepções e construir linhas de ação para a educação nos assentamentos e acampamentos do estado são alguns dos objetivos do Encontro. “Este ano pretendemos avançar na compreensão dos sujeitos com quem trabalhamos. Há muito tempo viemos construindo metodologias voltadas para a realidade do campo. Agora faremos planejamentos específicos para cada faixa etária, trazendo as contribuições das educadoras e educadores”, explica a Profª Edineide Xavier, coordenadora do Setor Estadual de Educação do MST-BA
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Pedagogia Sem Terra

Em âmbito nacional, o movimento tem se caracterizado por construir uma pedagogia própria, discutindo as questões e necessidades do homem do campo e incorporando saberes tradicionais relacionados ao cultivo da terra e ao equilíbrio sócio-ambiental. Fortemente influenciada pelas concepções do educador popular Paulo Freire, a Pedagogia da Terra se define como uma educação em movimento, um processo no qual o camponês, ao se apropriar de saberes que até então lhe eram negados, se constitui como sujeito ativo do processo de transformação histórica e social.

Hoje há centenas de escolas ligadas ao movimento, que mantêm convênios com cerca de 60 universidades, inclusive estrangeiras, possuindo ainda um centro de formação, a Escola Nacional Florestan Fernandes. Na Bahia, há cerca de 120 escolas que atendem aos ensinos básico e fundamental, além de 10 escolas e centros de formação com ensino médio, realizados através do PRONERA (Programa Nacional de Educação para a Reforma Agrária). O MST-BA realiza uma série de cursos profissionalizantes em parceria com universidades, como os de Magistério (parceria com a UNEB), Técnico-Agrícola (UESC), Gestão de Assentamentos e Técnico Comunitário de Saúde (UESB). Existem ainda os cursos superiores de Agronomia, Pedagogia da Terra e Letras da Terra (parcerias com a UNEB). Estima-se que mais de 7 mil Sem Terra sejam atendidos por essa rede educacional.

Programação Ampla
Na quinta-feira à tarde haverá um debate mais geral, com o tema “O Modelo Agrário Brasileiro: Uma questão Agrária?”. Participarão da mesa o dirigente nacional do MST, João Paulo Rodrigues, e a Profª. Drª. Guiomar Germani, coordenadora do GeografAR (Projeto Integrado de Pesquisa “A Geografia dos Assentamentos na Área Rural”), da UFBA. A manhã de sexta contará com a participação do Profº Drº Antônio Dias, da UNEB, debatendo “O Modelo Hegemônico e a Contra Hegemonia na Educação Brasileira”. À tarde haverão mini-plenárias com o tema “A escola que temos e os sujeitos com quem trabalhamos”, divididas por faixa-etária: Infância, Adolescência, Jovens e Adultos. No sábado será discutido “O Currículo da Escola que queremos”, com a participação da Profª Drª Stella Rodrigues, da UNEB.

Mais informações:
Edineide Xavier – Coord. Estadual Educação MST- BA
(73) 9965-9016
(75) 9182-5845

Paulo A. Magalhães Fº
Jornalista, mestrando em Ciências Sociais

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